Polícia Civil instaura processo disciplinar contra delegada esposa de acusado de matar gari em BH
23/04/2026
(Foto: Reprodução) Ana Paula Lamego Balbino Nogueira
Arquivo pessoal
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar possíveis infrações cometidas pela delegada Ana Paula Lamego Balbino, que podem levar à demissão da servidora.
Ela está afastada do cargo desde agosto do ano passado, após o marido dela, o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, confessar ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes durante uma discussão no trânsito em Belo Horizonte.
Segundo portaria publicada no Diário Oficial de Minas Gerais nesta quinta-feira (23), a Corregedoria-Geral da Polícia Civil apura se a delegada cometeu transgressões disciplinares graves, previstas por lei, que, segundo o próprio texto, podem resultar em demissão.
Entre as possíveis infrações estão falhas na guarda da arma funcional, permitir o uso do armamento por terceiros, não comunicar irregularidades e descumprir deveres profissionais.
A Polícia Civil informou, em nota, que o procedimento tramita sob sigilo para garantir a apuração dos fatos e o direito ao contraditório e à ampla defesa.
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Indiciada por prevaricação
Ana Paula Lamego Balbino já havia sido indiciada por porte ilegal de arma de fogo e por prevaricação, pois a arma usada no crime pertencia a ela. Segundo a polícia, ela sabia que o marido utilizava o armamento.
A delegada está afastada das funções desde 13 de agosto e teve a licença médica prorrogada por sucessivas vezes.
Mesmo sem trabalhar, ela seguiu recebendo cerca de R$ 16 mil líquidos durante esse período, segundo o Portal da Transparência.
A defesa de Ana Paula afirma que a licença é legal e foi concedida por um servidor público.
Entenda o caso
O gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, foi morto a tiros em 11 de agosto, enquanto trabalhava na coleta de lixo no bairro Vista Alegre, Região Oeste de Belo Horizonte. O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, confessou que cometeu o crime após se irritar ao encontrar o caminhão de lixo parado na rua.
Após ameaçar a motorista do caminhão, Renê desceu do carro e atirou contra os garis, atingindo Laudemir. Ele foi preso horas depois e, inicialmente, negou o crime, mas depois confessou o assassinato em depoimento à Polícia Civil.
Renê foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, porte ilegal de arma e ameaça. Em janeiro, ele se tornou réu pelo crime e vai a júri popular. Se condenado, pode pegar até 35 anos de prisão.
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