Ministério Público do Trabalho investiga denúncia de assédio moral na Unifal, em Alfenas, MG
28/10/2026
(Foto: Reprodução) Ministério Público do Trabalho investiga denúncia de assédio moral na Unifal, em Alfenas
O Ministério Público do Trabalho (MPT) investiga denúncias de assédio moral na Universidade Federal de Alfenas (Unifal). Segundo o órgão, o procedimento está em andamento e, por isso, ainda não é possível divulgar mais detalhes sobre o caso.
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A denúncia foi apresentada por um analista de tecnologia da informação que trabalha há 17 anos na instituição. De acordo com o servidor, as situações que caracterizariam o assédio teriam começado em 2025 e permanecido até 2026.
O servidor, identificado como Germano Lopes, afirma que procurou a direção da universidade, a reitoria e os canais administrativos da instituição, mas não recebeu acolhimento nem respostas. Diante disso, decidiu buscar órgãos externos e a Justiça Federal.
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Reprodução EPTV
Segundo Germano, o quadro teve impacto em sua saúde. Ele relata ter sido diagnosticado com síndrome de burnout, condição confirmada por perícia médica, e informou que está afastado do trabalho.
"Eu comecei a ser isolado, e-mails deixavam de ser respondidos, processos deixavam de ser encaminhados. Eu fui diagnosticado com Burnout. Foi muito difícil para mim, sabe, foi assim, é assédio sob assédio. Foi uma situação muito difícil, por isso que eu precisei buscar a justiça. Eu não tinha mais outra solução, outro meio para buscar não ser a justiça para que a minha saúde, o meu bem-estar fosse preservado, a minha saúde mental fosse preservada e que ela não trouxesse prejuízos como eu já vi dentro da instituição. Precisa de ter um olhar diferenciado para questões que envolvem a saúde mental do trabalhador", afirmou.
O analista também informou ter recebido relatos de colegas que teriam passado por situações semelhantes e fez sugestões de melhorias nos protocolos relacionados ao tema.
Ministério Público do Trabalho investiga denúncia de assédio moral na Unifal
Em nota, o sindicato dos docentes da Unifal informou que as queixas de assédio sempre chegaram à entidade, mas que houve aumento dos relatos nos últimos três anos. Segundo o sindicato, as principais reclamações envolvem excessos no exercício da chefia e processos administrativos com falhas no contraditório, incluindo casos de vício processual apontados pela Controladoria-Geral da União.
Ainda de acordo com a entidade, também têm sido frequentes as queixas relacionadas à atenção à saúde dos trabalhadores. O sindicato informou que seu departamento jurídico analisa as denúncias recebidas para verificar a possibilidade de adoção de medidas judiciais em outros casos.
O que disse a Unifal
Procurada inicialmente, a Unifal informou que não iria comentar o caso específico envolvendo o analista de tecnologia da informação. A instituição também foi questionada sobre as demais denúncias mencionadas pelo sindicato, mas não se manifestou sobre esse ponto naquele momento.
Após a exibição da reportagem, a universidade enviou uma nota assinada pelo reitor Alessandro Antonio Costa Pereira. No documento, a instituição afirmou que todas as manifestações feitas pelo servidor foram analisadas e respondidas, com os encaminhamentos pertinentes à natureza de cada demanda.
A Unifal informou que segue uma política de prevenção e enfrentamento ao assédio e à discriminação, aprovada em 2024 pelo Conselho Universitário. A universidade também destacou que exige capacitações sobre o tema para servidores que buscam progressão ou promoção funcional.
A instituição afirmou ainda que conta com o Grupo de Enfrentamento e Mobilização contra o Assédio (Gema) e que, para o registro formal de denúncias, a comunidade universitária e o público em geral podem procurar a Ouvidoria.
Ao final da nota, a universidade reafirmou o compromisso com a promoção de um ambiente seguro, respeitoso e livre de assédio e discriminação. Também destacou que mantém procedimentos para analisar as manifestações, com respeito à legislação, à confidencialidade e aos direitos das pessoas envolvidas.
Leia a nota da Unifal-MG na íntegra
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