Macaca com diabetes não voltará à natureza em MG; caso é raro, diz veterinário

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Macaca com diabetes não voltará à natureza em MG; caso é raro, diz veterinário Chica, uma macaca-prego resgatada com dificuldade para respirar na Mata do Ipê, em Uberaba (MG), em janeiro, não poderá mais voltar à vida livre. Ela foi diagnosticada com diabetes mellitus após quase um mês de internação no Hospital Veterinário da Uniube (HVU). De acordo com o médico veterinário, Cláudio Yudi, o caso é considerado raro em primatas silvestres no Brasil e acende um alerta. Para os profissionais que acompanham Chica, a causa mais provável do diagnóstico está associada à oferta de alimentos inadequados por frequentadores da Mata do Ipê. "Ela vinha recebendo alimentos ricos em carboidratos simples, como pão de queijo e bolachas. Isso pode ter provocado um desequilíbrio metabólico grave e irreversível", disse Yudi. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp Estudos internacionais publicados na revista Zoo Biology indicam que a diabetes aparece mais em animais de cativeiro. Um levantamento citado publicação aponta que 28% das instituições zoológicas norte-americanas relataram ao menos um caso ativo da doença. Já em animais de vida livre, os registros são raros, o que torna o caso de Chica ainda mais significativo. Segundo Cláudio Yudi, em 25 anos de profissão, este é o primeiro caso de diabetes diagnosticada em primatas que ele acompanha e o primeiro caso de diabetes em mamífero silvestre que tem conhecimento. "Nunca tinha visto algo semelhante. Até para mim é um caso raro e uma surpresa, por se tratar de um animal de vida livre. Se fosse um animal de zoológico, isso seria relativamente mais comum, pois há relatos em primatas mantidos em cativeiro. No entanto, em vida livre, realmente é raro". Conforme o veterinário, a macaca resgatada deve ter entre 20 e 30 anos, e por isso ganhou o apelido carinhoso de Dona Chica. Em relação à expectativa de vida após o diagnóstico, o especialista afirma que é difícil calcular com exatidão, mas o tratamento certo com certeza deu mais tempo a ela. "É um prognóstico reservado. Estimar quantos anos de vida ela terá é muito complexo. Até porque, neste momento, ela fica em um recinto onde recebe todos os cuidados necessários", disse Cláudio Yudi. Chica precisará de cuidados especiais por toda a vida e agora aguarda encaminhamento ao Instituto Estadual de Florestas (IEF), que definirá uma instituição habilitada para recebê-la. A Secretaria de Meio Ambiente de Uberaba informou que acompanha o caso desde o resgate e que dará suporte ao HVU e ao IEF na destinação da antiga moradora da Mata do Ipê. Dona Chica, como é chamada pelos profissionais que cuidam dela, está no Hospital Veterinário da Uniube, em Uberaba Universidade do Agro/Uniube O diagnóstico Chica foi levada ao hospital veterinário por servidores municipais no dia 14 de janeiro de 2026, em estado apático, muito magra e com dificuldade para respirar. Quando deu entrada, fez exames e radiografia torácica que confirmaram broncopneumopatia (pneumonia). O tratamento foi iniciado com antibióticos, analgesia e suporte metabólico. Nos primeiros exames laboratoriais, a equipe identificou hiperglicemia, ou seja, aumento da taxa de açúcar no sangue. O diagnóstico de diabetes não foi fechado naquele momento. Segundo Cláudio Yudi, foi preciso esperar porque o estresse da captura pode elevar temporariamente a glicemia porque aumenta cortisol e catecolaminas. "Isso pode causar hiperglicemia transitória e os sedativos usados em procedimentos anestésicos também interferem temporariamente nos níveis de glicose, o que consequentemente impactaria no resultado”, explicou o veterinário. Após 19 dias de estabilização clínica, com melhora do quadro respiratório e adaptação ao ambiente hospitalar, uma nova bateria de exames foi feita e a dosagem de hemoglobina glicada, marcador que indica hiperglicemia crônica, confirmou o diagnóstico definitivo: diabetes mellitus. O futuro de Chica agora depende de cuidados constantes. LEIA TAMBÉM: VÍDEO Macaquinha da Mata do Ipê é internada para avaliação clínica Veja como aproveitar a do aniversário de 206 anos de Uberaba Veja o que abre e fecha durante o feriado municipal Mata do Ipê nunca mais Desde o início da internação Chica tem uma dieta com redução de carboidratos simples e aumento da oferta de vegetais frescos. Mesmo com o controle alimentar, o prognóstico é permanente e ela não poderá retornar à vida livre. “A diabetes mellitus, quando instalada em primatas, exige cuidado contínuo, medicação diária, exames periódicos e dieta rigorosamente controlada, condições que não existem na natureza”, afirmou Cláudio Yudi. Quem visita parques e zoológicos se depara sempre com uma placa com os dizeres "Proibido alimentar os animais" ou "Por favor, não alimente os animais , porém, muitos ignoram o aviso. A dieta desses animais é pensada e preparada por profissionais. Para Cláudio Yudi, o caso de Chica deve servir de alerta nacional porque um dos motivos para ela desenvolver o problema foi a alimentação inadequada, rica em carboidratos, com alimentos destinados ao consumo humano ofertado pelos visitantes. É o gesto de carinho que pode condenar o animal a uma doença crônica irreversível. "É urgente que as pessoas parem de oferecer esse tipo de alimento aos animais pelo risco de causar essa doença a longo prazo. Trata-se de um quadro que não surge de uma hora para outra, mas após muitos anos de alimentação inadequada," finalizou o médico veterinário. 🚫 Por que não se deve alimentar animais silvestres? Os especialistas alertam que oferecer comida a animais silvestres em parques, praças, trilhas ou zoológicos pode causar uma série de problemas: Distúrbios metabólicos, como obesidade e diabetes; Dependência alimentar, com perda da capacidade de buscar alimento na natureza; Mudanças comportamentais, incluindo aumento da agressividade; Maior risco de transmissão de zoonoses; Desequilíbrio ecológico, afetando outras espécies. Chica chegou ao hospital veterinário muito magra, com dificuldade para respirar e em estado apático Universidade do Agro/Uniube VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/03/01/macaca-com-diabetes-nao-voltara-a-natureza-em-mg-caso-e-raro-diz-veterinario.ghtml


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