Ibama alerta para impactos acumulativos da extração de terras raras no Sul de MG e recomenda avaliação conjunta dos projetos

  • 11/08/2026
(Foto: Reprodução)
Ibama alerta para riscos ambientais da mineração de terras raras e recomenda mais estudos O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) emitiu uma informação técnica alertando sobre os possíveis riscos ambientais que os projetos de mineração de terras raras no Planalto de Poços de Caldas, no Sul de Minas, podem causar, e recomendou análises dos impactos acumulativos de todos os projetos conjuntamente. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram 🔎 Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicosestratégicos, fundamentais em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. Atualmente, dois projetos — o Caldeira, da mineradora Meteoric, em Caldas (MG), e o Colossus, da empresa Viridis, em Poços de Caldas (MG) — estão em fase de licenciamento na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). Cada projeto está sendo analisado individualmente. Amostra de argila retirada de área formada sobre cratera de vulcão extinto no Sul de Minas rica em elementos conhecidos por terras raras Viridis/Divulgação Mas, para o Ibama, os dois empreendimentos estão em uma mesma região e podem ter interações sobre sistemas hídricos, biodiversidade e outros componentes ambientais, e, por isso, é necessária uma abordagem integrada e não apenas avaliações isoladas. O documento, emitido em julho, demonstra preocupação com os impactos cumulativos e sinérgicos, quando os efeitos de diferentes atividades podem se somar ou interagir. O Ibama aponta ainda que existem lacunas de informação e recomenda estudos mais amplos sobre os impactos da mineração de terras raras que considerem também a unidade de descomissionamento de INB, antiga mina de urânio que abriga um passivo nuclear de toneladas de material radioativo, em Caldas. Mina de terras raras será montada ao lado de antiga mina de urânio, em Caldas (MG) Arte/g1 O órgão destaca que não há sobreposição física entre as áreas dos projetos de terras raras e as estruturas da antiga unidade da INB, mas afirma que a proximidade entre os empreendimentos exige uma análise integrada dos impactos cumulativos, principalmente sobre os recursos hídricos, a biodiversidade e o passivo ambiental da antiga mineração de urânio. Em relação à proximidade da mineração de terras raras nas proximidades da INB, o Ibama faz uma lista dos riscos ambientais: Extração exige muita água e escavações profundas — possibilidade de rebaixar o lençol freático e mudar o caminho de águas subterrâneas que já estão contaminadas pela antiga mina. Risco de uma armadilha ecológica — o desmatamento para as novas minas poderia empurrar a fauna silvestre direto para as áreas contaminadas da INB. Risco climático — chuvas extremas podem causar o transbordamento de águas ácidas para os rios da região se as novas cavas forem inundadas. Com base nas conclusões e recomendações do parecer técnico do Ibama, a Aliança em Prol da APA da Pedra Branca de Caldas entrou com ofícios no Ministério Público Federal e na Feam, pedindo a suspensão imediata das licenças da Viridis e da Meteoric até que essa análise conjunta seja feita, com uma perícia independente. LEIA TAMBÉM: Entre o passado nuclear e as terras raras: cidade do Sul de Minas vive novo ciclo mineral 40 anos depois 'É uma mina no quintal': terras raras a 300 m de casas dividem opinião de moradores no Sul de MG Corrida por terras raras: descoberta de jazida em MG atrai mais de 100 pedidos de mineração Cratera de vulcão em MG pode suprir 20% da demanda global por terras raras, minerais estratégicos cobiçados pelos EUA Área rural de Caldas (MG) irá receber uma mina de exploração de terras raras Fabiana Assis/g1 Entre os pontos que, segundo a ONG, precisam ser avaliados, estão a dinâmica das águas subterrâneas e superficiais, a possível dispersão de contaminantes, os riscos geoquímicos e radiológicos, os efeitos sobre a biodiversidade e a interação dos novos empreendimentos com as estruturas e os passivos da antiga mineração de urânio. O que dizem os envolvidos A Viridis informou, por meio de nota, que não teve acesso ao documento do Ibama e, por isso, não pode se manifestar. Mas a empresa garantiu que o licenciamento ambiental do projeto Colossus segue rigorosamente as normativas em vigor, sob a condução da Feam, e foi embasado em estudos técnicos robustos aprovados pela Feam, que resultaram na aprovação unânime da licença prévia. A empresa diz ainda que confia nos estudos realizados e no rigor técnico dos órgãos responsáveis. A Meteoric informou que o licenciamento do projeto Caldeira segue a legislação ambiental, que os estudos socioambientais começaram em 2023 e seguiram os termos de referência definidos pela Feam. A empresa afirma que os estudos foram elaborados por equipes multidisciplinares e têm como objetivo avaliar os potenciais impactos e definir medidas de mitigação, monitoramento e gestão ambiental. A Meteoric recebeu a licença prévia em dezembro de 2025 e, em março de 2026, protocolou a documentação necessária para a licença de instalação. Ibama alerta para impactos das licenças de extração de terras raras no Sul de Minas A INB disse que acompanha os processos de licenciamento ambiental e que eles são conduzidos pelos órgãos competentes e incluem a avaliação dos potenciais impactos e das possíveis interferências com outros empreendimentos da região. Disse ainda que, no que diz respeito às possíveis interfaces com a Unidade em Descomissionamento de Caldas (UDC), colabora sempre que demandada, disponibilizando as informações técnicas necessárias para subsidiar as análises das autoridades responsáveis. A Feam também foi procurada pela reportagem da EPTV, afiliada à TV Globo, para se manifestar sobre o parecer do Ibama, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. INFOGRÁFICO - Como será a mineração de terras raras no Sul de Minas Arte/g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/08/11/ibama-alerta-para-impactos-acumulativos-da-extracao-de-terras-raras-no-sul-de-mg-e-recomenda-avaliacao-conjunta-dos-projetos.ghtml


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