Após 7 anos de preparação, grupo do maior primata das Américas volta à natureza em MG
20/08/2026
(Foto: Reprodução) Grupo do maior primata das Américas volta à natureza em MG
Maior primata das Américas e um dos mais ameaçados do Brasil, sete muriquis-do-norte foram soltos em uma área de Mata Atlântica no entorno do Parque Estadual do Ibitipoca, na Zona da Mata mineira, após sete anos de manejo e pesquisa.
Os animais deixaram um recinto construído especialmente para a reintrodução, a Muriqui House, mantida pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB). A ação faz parte de uma estratégia de conservação para formar uma nova população da espécie em Lima Duarte.
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A soltura ocorreu no início de agosto, na Mata da Boa Vista, área preservada dentro do território do Ibiti Projeto, iniciativa voltada à conservação e regeneração ambiental.
A operação foi conduzida pelo Muriqui Instituto de Biodiversidade (MIB), em parceria com o Ibiti Projeto, e contou com a participação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), do Ibama-MG e do Instituto Estadual de Florestas (IEF).
Formação de uma nova população
Grupo do maior primata das Américas volta à natureza em Minas Gerais
Muriqui House/Divulgação
Segundo os pesquisadores, a reintrodução envolve uma estratégia de conservação de alta complexidade. Os muriquis foram preparados para a mudança de ambiente e passaram por uma etapa de adaptação antes de terem acesso à floresta.
“É a primeira vez que se ousa formar um grupo de muriquis na mata por meio de um manejo dessa complexidade. Estamos construindo uma história e aprendendo com cada etapa”, afirmou Fabiano Melo, primatólogo, professor da UFV e um dos coordenadores do trabalho.
Os sete animais passaram uma noite em um recinto construído próximo à floresta. Uma passarela de madeira ligava a estrutura à mata e permitiu que os muriquis deixassem o local voluntariamente na manhã seguinte.
Câmeras GoPro instaladas na passarela e drones registraram o momento da saída. Veja as imagens no vídeo no início da reportagem.
Uma semana antes, outros três muriquis-do-norte, vindos de Peçanha, no Leste de Minas Gerais, também haviam sido reintroduzidos na região.
A expectativa dos pesquisadores é que os dois grupos se encontrem e, no futuro, formem uma população geneticamente mais diversa e capaz de se reproduzir.
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Monitoramento
Muriquis durante período no recinto antes de voltar à natureza em Minas Gerais
Muriqui House/Divulgação
A soltura não encerra o trabalho de conservação. Os muriquis serão monitorados por meio de colares de GPS, drones termais e observações em campo.
Os dados vão permitir acompanhar os deslocamentos, as interações entre os animais e a adaptação ao novo ambiente. O objetivo também é entender como os diferentes grupos vão se relacionar.
“Tudo é feito com muito cuidado. Cada decisão é tomada em conjunto, com troca de dados e experiências entre os profissionais. Estamos construindo uma história. Esses passos são também uma oportunidade de aprendizado para futuras iniciativas de conservação”, disse Marcello Nery, presidente do MIB.
A expectativa é que outros animais possam ser incorporados ao trabalho futuramente, com o objetivo de ampliar a população que começa a se formar na região.
“Temos clareza de que a soltura não significa o encerramento do projeto. É uma conquista muito importante dentro de um processo que ainda está acontecendo. Os resultados iniciais, especialmente a manutenção da coesão do grupo, são muito positivos, mas o sucesso desse trabalho precisa ser avaliado ao longo do tempo”, complementou Fernanda Pedreira Tabacow, bióloga, coordenadora do Projeto de Manejo de Ibitipoca e uma das diretoras do MIB.
Histórico da Muriqui House
A história começou em 2017, quando uma fêmea de muriqui, chamada Esmeralda, foi encontrada após sobreviver sozinha durante cinco anos em uma área de mata na região. O resgate marcou o início do trabalho dos pesquisadores do MIB para reunir e proteger os animais.
Em 2018, a Muriqui House foi criada em parceria com o Ibiti Projeto. Atualmente, a área conta com seis hectares de mata preservada, onde vive Bertolino, um muriqui com mais de 40 anos que não teria condições físicas de acompanhar o grupo solto.
Maior primata das Américas
Murqui do projeto Muriqui House em Minas Gerais
Muriqui House/Divulgação
O muriqui-do-norte é exclusivo da Mata Atlântica e tem características que chamam a atenção tanto pelo comportamento social quanto pela importância para a conservação da floresta. Atualmente, os animais são encontrados em apenas 12 localidades no Sudeste do Brasil, que, juntas, reúnem cerca de mil indivíduos na natureza.
Veja alguns fatos sobre o maior primata das Américas:
Nome científico: Brachyteles hypoxanthus
Habitat: é endêmico da Mata Atlântica e vive principalmente em áreas de floresta
Comportamento social: os grupos não têm um macho dominante. Os animais mantêm relações sociais frequentes e os conflitos são, muitas vezes, resolvidos por meio de interações entre os indivíduos.
Importância para a floresta: ao se alimentar de frutos e dispersar sementes, o muriqui contribui para a regeneração da Mata Atlântica e para a manutenção de processos ecológicos.
Conservação: a espécie está entre os primatas mais ameaçados do Brasil, o que torna ações de proteção, manejo e reintrodução importantes para a manutenção das populações.
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